terça-feira, 8 de abril de 2008

"Nem um passo atrás, muitos a frente!" - Apoio dos estudantes da Unesp Franca às lutas na UFB e UFMG

Frente a esse importante fenômeno de luta e questionamento, tanto da exorbitante e absurda corrupção do reitor da UNB TimothyMulholland quanto, mais de fundo, da estrutura de poder totalmente anti-democrática da universidade, além da importante ofensiva dos estudantes da UFMG contra as ações truculentas por parte dos policiais, os estudantes de Franca, em assembléia, se posicionaram em defesa dos estudantes que seguem ocupados lutando. Nós, do movimento A Plenos Pulmões - Franca acreditamos ser esse um importante passo para unificarmos importantes lutas que questionem as estruturas universitárias, toda a corja de ladrões e burocratas acadêmicos, além de se forjar uma luta em defesa de um ensino público, gratuito, a serviço dos trabalhadores.

MOÇÃO DE APOIO AS OCUPAÇÕES DA UNB E DA UFMG

Nós Estudantes da Unesp Franca Reunidos em Assembléia Geral no dia 8/4 nos manifestamos pelo total apoio às ocupações das reitorias da UFMG e da UNB.
Essas ocupações expressam a continuidade das lutas do ano passado quando o movimento estudantil se levantou em todo o país para lutar contra os projetos de acentuação da mercantilização nas universidades.
É mais do que necessário que o conjunto do movimento estudantil se coloque em solidariedade, mas também se reerga e se ponha novamente em uma luta coordenada para se enfrentar contra essa estrutura acadêmica e sua burocracia, que não é só corrupta e fascista, mas também garante aprovação de leis e decretos que precarizam a educação e colocam a universidade a serviço de uma ínfima minoria. Ontem foi a USP, hoje aparenta ser a UNB o bastião das contradições e lutas que ainda ecoam na universidade.
Chamamos todos os estudantes a reconstituir as discussões e mobilização.
A luta ainda não foi vitoriosa e permanece com todas as suas contradições, por isso mesmo se faz necessário corrigir os erros passados para que possamos avançar. È mais do que na hora de fazermos um balanço serio das lutas do ano passado.
Devemos coordenar as lutas para usufruí-las toda sua força.
Colocar de pé um sistema democrático de delegados de base revogáveis por salas de aula, para que as ocupações não virem um fim em si e não se isole do conjunto dos estudantes.
Devemos buscar uma aliança com os trabalhadores da universidade e de fora dela, promovendo uma verdadeira aliança operário-estudantil que expanda o movimento e suas demandas para toda a sociedade.

Nem um passo atrás, muitos a frente!



Assembléia Geral dos Estudantes UNESP-Franca 8/4/08

sábado, 29 de março de 2008

Discussão com a academia - Marxismo como ferramenta revolucionária

O Marxismo como ferramenta de interpretação e transformação da realidade, e não como “mera” teoria academicista

Torna-se cada vez mais comum, nas salas de aula, tanto alunos como professores afirmarem a morte do marxismo. Vangloriam-se e falam, com um largo sorriso, que a decadência do regime soviético, a queda do muro de Berlim demonstram o desmoronamento de toda uma doutrina que já nasceu fadada ao fracasso. Acusam a teoria marxista pela burocratização da União Soviética. Alegam que esse sim era o “socialismo real”.
É impressionante como tentam desconstruir de forma simplista e nada científica um pensamento que nasceu de anos e anos de reflexão, nasceu da apurada observação científica e do acúmulo de experiências da classe operária, e que também se originou do que se tinha de mais avançado das próprias teorias burguesas, como da análise econômica clássica inglesa, do socialismo francês e da filosofia clássica alemã, como se essa desconstrução e a decretação da morte do marxismo pudesse e possa ser feita de forma mecânica, e meramente por uma vontade ou gosto individual. Infelizmente, para esses alunos e acadêmicos, a realidade prova que a teoria marxista está demasiadamente viva.
No entanto, ao não conseguir provar de forma científica a morte do marxismo, ou então o fim da classe trabalhadora, a academia burguesa, faculdades, universidades, que produzem seu conhecimento para a manutenção do sistema capitalista, buscam “capar” cada vez mais o marxismo da sua essência revolucionária. Professores, os mesmos que já não conseguem sustentar perante seus alunos o fim do marxismo, declaram a utilização apenas da análise materialista, ou seja, o materialismo histórico de Marx. Fragmentam o marxismo (como se isso fosse possível), e o deturpam ao máximo, pois sabem que por suas posições políticas - seus anseios de manterem o status quo da sociedade - não podem e nem querem levar o marxismo até as suas últimas conseqüências, ou seja, de transformar radicalmente a sociedade a partir da tomada de poder da classe trabalhadora, e consequentemente com o fim de sua divisão de classes.
O mais interessante, é que, quando o “marxismo” é mantido vivo na academia, são criados “nichos” de discussões, como se o mesmo pudesse ser estudado apenas de forma paralela ao próprio currículo dos cursos de humanas. Maior exemplo disso é o Centro de Estudos Marxistas da Unicamp, que se vangloria de organizar um evento por ano e reunir um punhado de intelectuais – marxistas envergonhados - que com suas divagações teóricas isolam cada vez mais o marxismo - ferramenta de interpretação e transformação da realidade - da classe trabalhadora. São primadas horas e mais horas discutindo vírgulas e mais vírgulas que Marx usou no O Capital, e o duplo sentido que isso ofereceu a seus escritos, ou então a definição acertada ou errônea que Nicos Poulantzsas fez em relação ao Estado, enquanto que uma análise primordial como a da crise estrutural do capitalismo (crise econômica) que afeta seu país central – EUA – passa em branco para esses “marxistas’’. Nesse sentido, não se discute se a ferramenta marxista ainda pode ser utilizada para tanto interpretar como transformar a realidade, a recomposição lenta e gradual do movimento operário a nível mundial, as crises de direção do movimento de massas, as possíveis repercussões da crise financeira nos países centrais ou semi-coloniais. Se por “fatalidade” esse espaço puramente acadêmico permitiu a presença de algum trabalhador, com certeza o mesmo diria que o marxismo não responde as suas questões vitais e centrais de luta. É claro, esse marxismo totalmente “academicizado” não responde às demandas dos trabalhadores.
Mais do que nunca se faz necessário que os estudantes marxistas entendam que ao passo que o marxismo também é dotado de uma rica e profunda teoria, é vital que o mesmo também se torne a ferramenta de luta da classe trabalhadora. Não podemos mais aceitar acusações e insultos da academia que os estudante marxista é apenas aquele que leu os 5 volumes de O Capital de “trás pra frente”. Ótimo e necessário que os marxistas busquem “beber” cada vez mais de teoria revolucionária, mas que se compreenda que o marxismo é uma ferramenta de luta, de interpretação e transformação social. Os trabalhadores, por suas condições materiais - o capitalismo não permite que os mesmos se formem teoricamente – não têm acesso a uma formação teórica, mas sentem na pele, dia-a-dia através da venda de sua força de trabalho, tudo que Marx, Engels, Trotsky e diversos outros teóricos revolucionários escreveram. Cabe aos estudantes e trabalhadores revolucionários um esforço cada vez maior de “desacademicizarem” o marxismo, tirando todo o viés profano, petulante e inofensivo que há anos a burguesia lhe concebeu, e deixar o mesmo concreto para a classe trabalhadora, resgatando desse modo, seu caráter transformador e subversivo.
A universidade é um espaço em disputa. Seu conhecimento HOJE serve para manutenção da ordem. No entanto, os estudantes devem lutar para que o conhecimento produzido nos “centros de excelência” burgueses sirva cada vez mais para orientar e compor – instrumentalizar - as lutas da classe trabalhadora, resgatando mais do que nunca o marxismo revolucionário. Desse modo, se coloca na ordem do dia a ligação orgânica, a união entre estudantes e trabalhadores, para que os estudantes atuem ao lado da classe trabalhadora para que a mesma possa suprimir tanto a sociedade burguesa como a universidade burguesa. O marxismo deve voltar a ser temido pela burguesia, por ser uma ferramenta revolucionária, e não uma mera teoria acadêmica.

Leandro Guanais (Che), estudante de História.
Militante do Movimento A Plenos Pulmões Franca

Pravda nº02


A Plenos Pulmões Unesp Franca


Com o ínicio de mais um ano e a entrada de novas pessoas na Universidade, o Movimento A Plenos Pulmões cumpre um importante papel de se contrapor ao projeto burguês de universidade e o seu conhecimento produzido, e se colocar enquanto referência para os estudantes que procuram partir do questionamento da universidade de classes para o questionamento da sociedade de classes. Para todos que busquem a construção de um movimento estudantil novo, radicalizado, que acredite em seus métodos de luta, e busque cada vez mais ser anti-burocrático, anti-governista e que se coloque ao lado da classe trabalhadora em sua luta política.
Nesse sentido, a APP da Unesp Franca lançou mais um jornal, o Pravda (nº 02), que busca partir de um balanço sério sobre as mobilizações, greves e ocupações do ano de 2007, tirando seus ensinamentos, apontando suas debilidades, discute a situação do novo campus construido a pouco e o significado político dessa obra, além de questionar a terceirização como forma de precarizar o setor dos trabalhadores mais marginalizados e oprimidos da universidade. Já está mais do que na hora dos estudantes e trabalhadores apresentarem uma saída para a crise universitária.